TENDINITE

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O que é uma Tendinite?

O termo “tendinite” surgiu nos anos 80 associado à crença que a inflamação estaria na base da patologia do tendão. Estudos nos anos 90, com recurso à microscopia permitiram verificar a presença de alterações ao nível do tendão, no entanto sem componente inflamatório de relevo pelo que atualmente tem sido recomendado o uso do termo Tendinopatia.

A Tendinopatia refere-se a uma resposta não inflamatória das células do tendão e proteínas da matriz à sobrecarga do tendão seja em tensão ou compressão. Acredita-se que a evolução de um tendão são para tendinopatia seja um “continuum”, partindo da tendinopatia reativa (com espessamento a curto-prazo do tendão) à tendinopatia degenerativa (com disrupção marcada ao nível de vários constituintes do tendão assim como alterações vasculares, com risco de rutura se a degeneração for extensa.

A entesopatia ocorre na zona onde o tendão se insere no osso tratando-se de um processo degenerativo semelhante à tendinopatia.

Outros termos associados com as lesões tendinosas são Paratendinite e Tenossinovite que correspondem estes sim, a processos inflamatórios das membranas que revestem os tendões ou em relação com estes geralmente em situações em que o tendão desliza sobre superfícies ósseas ou por irritação direta induzida pelo movimento repetitivo.

Sintomas de uma Tendinite

Os sintomas da tendinopatia incluem dor após o exercício ou mais frequentemente na manhã seguinte ao levantar-se. Em estádios iniciais pode não haver dor em repouso sendo mais doloroso com o movimento do tendão afetado. Nas fases iniciais e sobretudo em atletas, a dor muitas vezes não é restritiva não interferindo com a capacidade de realizar um treino completo, aspeto que poderá interferir com o processo de regeneração/recuperação do tendão.

Ao exame objetivo é comum dor local e à palpação, espessamento do tendão e edema ou inchaço circundante. A sensação de crepitação é mais comum nos casos de tenossinovite (inflamação das membranas que revestem os tendões).     

Tratamentos

Quanto ao tratamento da tendinopatia, uma vez que não se trata de um processo inflamatório, o uso de medicamentos anti-inflamatórios não parece apresentar benefício a longo prazo, ao contrário do tratamento da tenossinovite e paratendinite e outros processos inflamatórios, como as bursites (as bursas situam-se entre proeminências ósseas e tendões facilitando o movimento das estruturas), em cujas medidas anti-inflamatórias serão mais adequadas e eficazes, tais como a evicção de cargas irritativas ou compressivas, gelo, estimulação elétrica, iontoforese e estiramentos suaves. Os medicamentos anti-inflamatórios são frequentemente utilizados e quando todas estas medidas falham em casos selecionados podem ser consideradas infiltrações com corticoides idealmente guiadas por ecografia.

O tratamento da tendinopatia passa assim pela Reabilitação. O início e objetivos da reabilitação vão depender do nível funcional e capacidade do doente iniciais e dos níveis que se pretende atingir (um indivíduo sedentário terá uma abordagem e objetivos de tratamento distintos de um atleta de alta competição).  

Numa fase inicial estão recomendados os exercícios isométricos (exercícios em que há contração do músculo mas sem movimento articular), cuja carga e tempo de contração dependerão uma vez mais dos sintomas e características do doente. Esta fase poderá variar entre 7 a 10 dias a 6 a 8 semanas dependendo da evolução. Após alívio da dor poderão ser iniciados exercícios isotónicos (contração muscular com movimento da articulação) que poderão ser concêntricos e excêntricos (preferencialmente com componente excêntrico ligeiramente predominante) com o objetivo de melhorar a força na unidade músculo-tendão. Estes exercícios devem ser realizados nos músculos de toda a cadeia cinética afetada. Poderão ser necessárias 12 semanas ou mais para recuperar uma extremidade afetada.